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Análise do poema O Poeta – Vinicius de Moraes

12 de dezembro de 2017

A vida às vezes parece ser apenas dor e sofrimento, não é mesmo? Às vezes nos sentimos como se fossemos eternos errantes, com todas as dores do mundo dentro de nós. Saber aliviar essa dor é o que vai fazer você conseguir seguir vivendo sua vida e rotina normalmente. Vinicius de Moraes, o eterno poeta da paixão, também viveu seu sofrimento em sua vida de poeta e hoje vamos fazer uma breve análise de um poema que trata muito bem desse assunto.

 Em “O Poeta”, poema de seu primeiro livro, “O Caminho Para a Distância”, publicado em 1933 pela Schmidt Editora, Vinicius fala sobre como “a vida do poeta tem um ritmo diferente”. Ele a define como uma contínua dor angustiante. Esse eterno sofrimento, no qual ele diz estar destinado, é compensado pela forma bonita como sorri à vida e à amizade.

A maneira de enxergar a vida pode parecer confusa, para algumas pessoas, mas é totalmente compreensível em Vinicius. Nesta obra vemos um poeta apaixonado, como foi durante toda sua vida mas, ao mesmo tempo, com a alma angustiada, que busca na poesia uma resposta para seu eterno sofrimento, ao qual está fadado.

Confira o poema completo e nos diga nos comentários qual foi seu sentimento ao ler o poema.

 

O POETA

Rio de Janeiro , 1933

A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.Ele é o eterno errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
O poeta chora.
Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes
Olhando o espaço imenso da sua alma.
O poeta sorri.
Sorri à vida e à beleza e à amizade
Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.
O poeta é bom.
Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras
Sua alma as compreende na luz e na lama
Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
O poeta não teme a morte.
Seu espírito penetra a sua visão silenciosa
E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.

 

 

A autora deste texto é jornalista. Extremamente sensível. Viciada em café. Amante de poesia e, às vezes, da seus palpites fashionistas. Atualmente este blog também está hospedado no Portal Bonde. Sentem-se e fiquem à vontade.
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